Donald Trump e Hillary Clinton estão certos em temer o potencial disruptivo do Bitcoin, diz Alex Gladstein

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Se o Bitcoin (BTC) for bem sucedido no propósito para o qual foi criado, ele destruirá o poder dos bancos centrais e do sistema financeiro tradicional, afirmou Alex Gladstein, estrategista chefe da Human Rights Foundation, em uma entrevista concedida ao jornalista norte-americano radicado no Brasil Glenn Greenwald na quarta-feira.

Bitcoin une Trump e Hillary na oposição, ambos alertando que ameaça a hegemonia do dólar e é uma arma “perigosa” para minar o poder do status quo

— Glenn Greenwald (@ggreenwald)

A afirmação foi feita depois que Greenwald destacou a convergência dos pontos de vista do ex-presidente republicano, Donald Trump, e de sua oponente democrata, Hillary Clinton, na eleição presidencial dos EUA de 2016 – ambos concordam que o Bitcoin é uma ameaça à supremacia do dólar – e perguntou por que a criptomoeda é capaz de unir os rivais.

Gladstein respondeu que o Bitcoin representa, sim, uma ameaça ao sistema financeiro tradicional e aos organismos nacionais e internacionais que o sustentam, como bancos centrais, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte):

“O Bitcoin será altamente destrutivo se ele for bem sucedido. Ele irá substituir muitos destes organismos, como o FMI e o Banco Mundial. O poder deles será reduzido. É natural que estas pessoas estejam falando e discutindo sobre isso. O mais louco é que eles tenham demorado tanto para se dar conta disso, para ser honesto… Respondendo de forma direta e objetiva à sua pergunta, sim, ele vai retirar o poder destas elites. Certamente vai criar outras novas, mas com certeza será uma ameaça a esta que está aí.”

Sob a perspectiva do cidadão americano comum, Gladstein acredita que o fim da supremacia do dólar não será necessariamente ruim. Segundo ele, o sistema monetário atual foi uma criação arbitrária de Richard Nixon e Henry Kissinger que obriga os EUA a manter uma presença militar ostensiva em diversas regiões do planeta em nome do favorecimento de uma elite cujos interesses tanto Donald Trump quanto Hillary Clinton representam.

A manutenção do sistema atual, com a provável instituição das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), deve ampliar a vigilância sobre os cidadãos, levando o Bank Secrecy Act a níveis inimiagináveis quando a legislação foi criada, diz Gladstein. A lei foi criada para obrigar empresas a entregar documentação privada de seus clientes todas vez que eles realizarem transações acima de US$ 10.000 consideradas suspeitas pelas autoridades competentes.

De certa forma, afirma Gadstein, a legislação fere a privacidade dos cidadãos através do escrutínio de suas transações financeiras. O novo estágio da digitalização do dinheiro implementado pelas CBDCs levará o nível da vigilância a extremos perigosos, sejam as corporações ou os estados os responsáveis pelo controle das informações privadas dos cidadãos:

“Sempre que você faz uma transação, você revela uma grande quantidade de informações ao seu respeito para intermediários. Agora, isso tende a se tornar um capitalismo de vigilância mais ostensivo nos EUA, e um autoritarismo digital na China. Em ambos os casos há intermediários, seja m corporações ou o próprio estado processando informações ao seu respeito para aprender mais sobre você do que você mesmo, tornando-se capazes de manipulá-lo por meio de engenharia social, e eles podem bloquear o seu acesso aos serviços ou excluí-lo de determinadas plataformas.”

É justamente este poder de intermediação das relações financeiras entre indivíduos soberanos que o Bitcoin se propõe a eliminar, criando um sistema de pagamento digital ponto a ponto que permite a qualquer pessoa transmitir valores a quem quer que deseje, em qualquer lugar do mundo, a um custo baixo, e quase instantâneo.

Hoje, há 2 milhões de pessoas que possuem Bitcoin no mundo inteiro, conectados através de uma rede que ignora fronteiras e não censurável. Além disso, a criptomoeda tem um suprimento total de moedas pré-determinado e imutável, que faz dela um ativo deflacionário no longo prazo. Todas estas qualidades o qualificam para em “última instância substituir os bancos centrais”, diz Gladstein.

Segundo Gladstein, estes atributos acabarão tornando inevitável que as pessoas entendam que o Bitcoin é um padrão monetário melhor do que o dólar norte-americano ou qualquer outra moeda fiduciária. Ainda mais considerando-se a valorização do BTC em relação ao dólar no longo prazo.

Gladstein acredita que a adoção do Bitcoin enquanto moeda será um desdobramento natural e, eventualmente, a fase em que o criptoativo é entendido e utilizado fundamentalmente como um ativo de reserva de valor e investimento financeiro será deixada para trás:

“Uma vez que os comerciantes não queiram mais receber [pagamentos] em moeda fiduciária, uma vez que eles prefiram os seus Bitcoins, você será obrigado a gastá-los. Nós já estamos começando a ver isso no mercado imobiliário, em que as pessoas já estão vendendo seus imóveis por Bitcoin. Eu não sei se isso vai ser em três, cinco ou dez anos, mas eventualmente o BTC se tornará preponderante e os comerciantes de produtos e serviços passarão a oferecer um prêmio para quem utilizar Bitcoin como meio de pagamento. Isso já ocorre em países cujos sistema político ou econômico estão corrompidos. E isso vai continuar a acontecer cada vez mais à medida que moedas fiduciárias continuarem a entrar em colapso.”

Gladstein ainda negou a acusação de que o Bitcoin de certa forma reproduz um esquema de pirâmide financeira que beneficiaria os primeiros adeptos em detrimento daqueles que adotaram tardiamente ou mesmo de quem sequer possui Bitcoin hoje.

Segundo ele, é muito pequeno o número de pessoas que manteve Bitcoins comprados nos primeiros anos de existência da criptomoeda e sempre surgem novas oportunidades para adquiri-lo. Portanto, mesmo que alguns investidores possuam grandes quantias de Bitcoin, “ninguém se beneficia dele desproporcionalmente”, afirma. 

De forma indireta, Gladstein também deixa sua opinião na polêmica recente que tomou conta do Twitter opondo os maximalistas do Bitcoin e os defensores da Web3, tomando o partido dos primeiros, até por se assumir como um deles:

“Eu acho que esse ceticismo ao qual você se referiu é totalmente válido para todas as outras criptomoedas, as quais são controladas por VCs (capitalistas de risco) e pequenos grupos de pessoas. Nós devemos nos manter alertas em relação a isso. Quando a gente olha para coisas como Web3, metaverso, NFTs, há um grupo muito pequeno de pessoas que está se beneficiando [economicamente].”

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, Jack Dorsey criticou a concentração de poder econômico e de governança de protocolos da Web3, afirmando que a suposta descentralização destes projetos não passa de ilusão, dando início a um debate ainda em curso envolvendo diversas personalidades da indústria de criptomoedas.

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